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 Importância do trabalho multiprofissional e interdisciplinar na saúde

Assistente Social: Rosângela Simas

A Constituição de 1988 define a saúde como direito de todos e dever do Estado, garantindo, mediante políticas públicas sociais e econômicas, a redução do risco de doença e outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.

O ser humano desde o seu nascimento até sua morte vive numa constante interação com o meio ambiente, com as pessoas, seus sentimentos, suas opiniões, com visão de mundo e das coisas, diferentes, recebendo e exercendo influência em suas relações com os outros, e isto, pressupõe crescimento pessoal, ao tomar consciência de sua pessoa, de suas aptidões, potencialidades e também de suas dificuldades e limitações.

Nós, enquanto profissionais de saúde, temos como ponto de partida comum, a Educação em Saúde, que é o comprometimento com o processo de mudança do ser humano em parceria, - educador e educando-, implicando na maioria das vezes em percepção, conscientização, mudança de atitudes e de valores. E isto, é essencial ao tratamento e abordagens, pois constitui um direito/dever do paciente, assim como dos responsáveis pela sua saúde. O processo educativo, nesse sentido, deve facilitar a aquisição de conhecimentos e proporcionar condições para o desenvolvimento de habilidades, para que o tratamento tenha a eficácia desejada.

Hoje, provavelmente mais do que ontem, é inegável que se discuta interdisciplinarmente, a assistência aos doentes, através da educação para a saúde, porém, tomando o homem a quem se serve, como centro da discussão. Não, contudo, um homem abstrato, mas o homem concreto, que não existe senão na realidade concreta, que o condiciona. Não se pode efetuar mudança de atitudes em relação a qualquer aspecto, sem conhecer sua visão de mundo e confrontá-la com sua totalidade.

O ser humano é frágil, e quando adoece, é o corpo sinalizando que algo não anda bem, tanto no aspecto físico, psicológico ou espiritual, que certamente influenciam e estão diretamente relacionados com os hábitos de vida.

Modificar hábitos de vida é interferir na qualidade de vida das pessoas, na sua forma de viver, em última instância, na sua própria concepção de saúde.

O conceito de saúde de cada um, é formado a partir de toda a sua vivência, participando da sua constituição, a formação familiar, as relações de trabalho, as relações sociais pessoais e interpessoais, seus sentimentos, fatores econômicos, enfim toda a sua cultura.

Partindo deste princípio, compreender os conceitos de saúde, as bases culturais em que se assentam, os estilos de vida dos pacientes, constitui-se num importante instrumento das ações dos profissionais e na resolução sobre o tipo de encaminhamento que se deve dar a cada um.

Dentro deste parâmetro de reflexão, há que se considerar a importância de um trabalho multiprofissional, e não apenas centrado na figura do médico, pois o paciente não é a sua doença e sim um sujeito cheio de potencialidades, que merece várias abordagens a fim de assegurar o êxito no seu tratamento.

Um profissional, atendendo em seu consultório, isoladamente, seja o médico, o assistente social, o enfermeiro, o psicólogo, o nutricionista, o dentista, o educador físico e os demais profissionais da saúde, corre o risco de ser eficiente em suas ações, mas não eficaz. Corre o risco de olhar apenas a parte que lhe cabe ou somente na sua especialidade, deixando em segundo plano, outros aspectos que cercam o paciente, desconsiderando o universo em que está inserido, a sua cultura.

O ensino de saúde tem sido um desafio para a educação, no que se refere à possibilidade de garantir uma aprendizagem efetiva e transformadora de atitudes e hábitos de vida, sempre levando em consideração todos os aspectos envolvidos na questão da educação do ser humano, enquanto ser indivisível, complexo e sensível.

As experiências dos profissionais de saúde vêm comprovando, de longa data, que a informação, isoladamente, tem pouco ou nenhum reflexo em mudanças de comportamento e a mera informação, ou "biologismo" - que valoriza a anatomia e a fisiologia para explicar a saúde e a doença, não dá conta dessa tarefa. Na realidade, todas as experiências que tenham reflexos sobre as práticas de promoção, proteção e recuperação da saúde serão, de fato, aprendizagem positivas, até porque não se trata de persuadir ou apenas de informar, mas de fornecer elementos que capacitem sujeitos para a ação.

É necessário uma mudança da cultura dos profissionais de saúde e dos usuários para se conseguir uma reorientação das políticas de saúde.

As atividades dos profissionais da saúde em geral, podem ser definidas hoje, como a função social, que consiste em prevenir e tratar as enfermidades, visando erradicá-las, curá-las ou controlar-lhes os efeitos. Porém o que se constata é que aprende-se o científico mas, não se aprendeu a olhar o paciente como um sujeito que vive, que pensa, que sofre, só se olha para o conjunto de processos fisiológicos com os quais o organismo enfrenta uma agressão, mas não aquelas atitudes desencadeadas pela consciência de uma enfermidade e que visam preservar não simplesmente a vida, como uma existência que tem sentido. Não há ocasião em que o homem se sinta tão radicalmente inseguro e atemorizado quanto durante a enfermidade, e é nessa situação que os profissionais de saúde aparecem como os únicos seres capazes de livrá-lo dessa condição desconfortável. Deve-se compreender, neste momento, às vezes, até de diagnóstico, que a insegurança e o temor podem ser para o paciente tão ou mais importantes que sua enfermidade aí, entra atuação de outros profissionais, pois segundo Paulo Freire "... para o humanismo verdadeiro não há outro caminho senão o diálogo".

A enfermidade é responsável por significativas mudanças no comportamento, sentimento e na vida das pessoas. Ela propicia ocasiões para experiência individuais únicas, revelando ao enfermo, em si mesmos e nos outros, aspectos ainda não vividos.

Como pode-se constatar o ser humano é cheio de possibilidades, sentimentos, potencialidades, capacidades diferentes de enfrentamento e, o que acontece em seu corpo pode ter várias causas, vários fatores e, por isto mesmo, para conseguir atingí-lo em sua essência, são necessárias várias abordagens feitas por diferentes categorias profissionais, porém, que se complementam, voltadas para um único objetivo, a saúde integral do homem.

Para conhecimento de todos, citaremos as categorias profissionais da área da saúde, publicada através da Resolução nº 218 de 06 de março de 1997, do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde:

  • Bioquímica;
  • Enfermagem;
  • Educação Física;
  • Farmácia;
  • Fonoaudiologia;
  • Medicina;
  • Medicina Veterinária; 
  • Nutrição;
  • Odontologia;
  • Psicologia;
  • Serviço Social;
  • Terapia Ocupacional, acrescenta-se hoje a Fisioterapia.

Fonte: http://www.tabagismoonline.com.br/entendendo-melhor/servico-social/importancia-do-trabalho-multiprofissional-e-interdisciplinar-na-saude/



Escrito por Serviço Social e Saúde às 13h25
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Transpondo fronteiras:

os desafios do assistente social na garantia do acesso à saúde no MERCOSUL

Assistente Social Keli Regina Dal Prá

Este estudo identifica a articulação entre a intervenção profissional do assistente social, o Projeto Ético-Político e a efetivação do acesso à saúde para a população fronteiriça que busca o SUS no Brasil, nas cidades fronteiriças da Região Sul e do Mato Grosso do Sul. A perspectiva teórica assumida entende o direito à saúde como um desdobramento dos direitos sociais, os quais refletem as relações entre o Estado e a sociedade civil e pressupõem sua articulação com o contexto macrossocietário, tendo como suposto que os ordenamentos econômicos, políticos e sociais incidem diretamente sobre o mesmo.

O enfoque reside nas relações estabelecidas entre os profissionais de serviço social e a população fronteiriça que busca assistência à saúde, na tentativa de estabelecer agendas de proteção e inclusão social. Tais agendas se materializam ou não em políticas, serviços e ações de saúde a partir de diferentes arranjos políticos, econômicos e sociais que sustentam a concepção de direito à saúde e sua operacionalização em cada Estado-membro do Mercosul.

Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, que utiliza as técnicas de entrevista semi-estruturada, observação assistemática e diário de campo, para a coleta de dados, e da técnica de análise de conteúdo, para os procedimentos analíticos. Participaram da pesquisa oito assistentes sociais que trabalham na saúde junto à população fronteiriça nos municípios delimitados.

Objetivou-se caracterizar a ação dos assistentes sociais, conhecer a concepção de saúde e de direito à saúde dos profissionais, identificar as estratégias desenvolvidas pelos assistentes sociais para possibilitar o acesso da população fronteiriça ao SUS e identificar como e com quais demandas a população fronteiriça chega ao atendimento do serviço social.

Entre os resultados, constatou-se que as ações profissionais centralizam-se no eixo de Processos sócio-assistenciais, prevalecendo as ações sócio-emergenciais e sócio-educativas e a construção de uma rede de proteção e inclusão social calcada mais na perspectiva de solidariedade do que na criação de protocolos oficiais de atendimento.

No eixo de Processos de Planejamento e Gestão, há necessidade de estabelecer normativas que assumam a invisibilidade da situação de saúde da população fronteiriça, e no eixo de Processos Político-Organizativos, o desafio é a construção da cidadania nas fronteiras, na qual teriam papel fundamental as associações profissionais, os organismos internacionais, ações ministeriais para a organização dos serviços e para a garantia da inclusão social.

A intervenção profissional no âmbito das fronteiras do Mercosul se realiza num contexto desfavorável à inclusão dos usuários fronteiriços no SUS por causa das questões territoriais/geográficas e legislativas que envolvem o acesso à saúde, uma vez que se trata de países com sistemas de saúde heterogêneos. O maior fluxo da população fronteiriça em busca de atenção à saúde e que, conseqüentemente, demanda a intervenção profissional se dá na fronteira com o Paraguai.

A população fronteiriça desenvolve diversas estratégias para garantir o acesso ao SUS. Essas estratégias, de um lado, refletem as dificuldades que a população fronteiriça enfrenta na busca de atenção às suas necessidades básicas no seu país de origem, como a saúde, e, de outro, não contribuem para o enfrentamento dessa questão e para a inclusão social no SUS; pelo contrário, perpetuam a condição de fronteiriço não cidadão e colaboram para a construção da invisibilidade social dessas demandas, fazendo com que de fato o acesso à saúde tenha fronteiras.

Texto na Íntegra:

Fonte: http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=19

 

 



Escrito por Serviço Social e Saúde às 14h42
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